Biografia – Edmar de Azevedo Monteiro

(1920-2013)

Testemunho de uma história em evolução

Edmar de Azevedo Monteiro veio para o Acre em 1964, a convite de Ruy Lino da Silveira, cuja amizade foi construída quando este fazia Agronomia e o futuro advogado ainda estudava Odontologia. Tornaram-se amigos e Ruy o indicou para o governador interventor capitão Cerqueira Filho. “Eu morava em Brasília e logo depois do golpe de 64, havia muita insegurança. Quando o Ruy me convidou para trabalhar no Acre, considerei que seria uma boa oportunidade para me afastar de toda aquela tensão. Aceitei e fui feliz por isso”.

Edmar Monteiro foi nomeado Promotor de Justiça Substituto do MPAC no dia 1º de dezembro de 1964, pelo então Procurador-Geral Jersey de Brito Nunes. Como particularidade pessoal, teve a felicidade de ver um de seus quatro filhos, Edmar de Azevedo Monteiro Filho, seguir seu exemplo e fazer carreira na instituição, passando por várias funções, desde Promotor de Justiça até chegar à Procuradoria-Geral por quatro mandatos. Quanto a isso, refletiu: “A força humana está em cada um. Todos tem o direito de escolher seu caminho, mas costumam acompanhar aquilo que admiram como bom e belo. Fico feliz por meu filho ter seguido minha carreira. Considero que o Direito é uma porta para muitas oportunidades”.

Tendo iniciado seus trabalhos como funcionário do gabinete do Procurador-Geral Lourival Marques, o então advogado Edmar Monteiro teve que atuar junto com seu chefe em situações nem sempre tranquilas “José Augusto ganhou a eleição, mas seu adversário, José Guiomard, tinha 8 dos 15 deputados. Eles faziam de tudo para tirá-lo do governo. Teve até um pedido de intervenção no Estado”.

O trabalho era difícil de ser conduzido, a comunicação com o interior, por exemplo, era precaríssima, ele relatou: “Só havia rádio comunicação particular, o Adonay Santos e o senhor Pinho eram os únicos que tinham e, com isso, fazíamos contato com os municípios”.

Crime e injustiça

Edmar lembrou que os militares golpistas sentiam-se ameaçados por tudo. Assim, multiplicavam as proporções de qualquer problema e reagiam com violência. Assim como aconteceu à época da morte misteriosa de um soldado do Exército durante uma confusão ocorrida numa casa de festas localizada junto à ladeira do Bola Preta, logo que Edmar chegou ao Acre.
Para os militares, o soldado tinha sido assassinado e, por causa disso, saíram prendendo todos os que achavam suspeitos. Prenderam muita gente. Elas foram maltratadas e humilhadas publicamente.

“Por fim, descobriram a verdade. É que durante a festa alguém tinha gritado que a patrulha policial estava chegando. Então, todos se espalharam, correndo para todo lado. Cegos pela escuridão da noite, o soldado caiu num poço velho que estava aberto, bateu com a cabeça num pedaço de madeira e morreu. Foi uma injustiça, uma barbaridade que cometeram contra aquelas pessoas, no caso que ficou conhecido como o crime da ladeira do Bola Preta. Naquela época, pouco poderíamos fazer. Mas a partir da Constituição de 1988, o Ministério Público ganhou força, e hoje, um abuso como aquele não ficaria na impunidade como ficou”, relembrou.

Sobre o MP, afirmou: “Fiz o meu melhor por esta casa e acho importante que reconheçam o esforço dos muitos que trabalharam para fazer dela o que é hoje. Um dos que contribuíram muito para isso foi o Procurador de Justiça Jersey Pacheco Brito Nunes; mas, no conjunto, o Ministério Público que temos hoje é fruto do esforço coletivo de pessoas que estudaram e se preparam profissionalmente para impulsioná-lo, com competência na defesa dos direitos de nossos cidadãos”.