Biografia – Euda Jucá

A primeira funcionária do Ministério Público do Estado do Acre

Primeira funcionária do MPAC, Euda Jucá da Silva, foi secretária do primeiro Procurador- Geral de Justiça, Lourival Marques. Ali, também cumpria serviços de recepcionista, datilógrafa e arquivista. “Sempre gostei de estudar, mas aqui no Acre, não tinha muita opção; por isso, fiz o magistério e dei aulas por muitos anos. Fazia o meu melhor” recorda.

Arrimo de família, ela trabalhou desde cedo para ajudar a mãe no sustento dos irmãos, vivia a insegurança dos contratos provisórios através dos quais eram requisitados seus serviços de acordo com a necessidade do então território. Quando o Estado começou a ser estruturado, muitos desses prestadores de serviços foram incorporados ao quadro de pessoal permanente.

“Havia muita influência política para ser encaixada no enquadramento. Eu era humilde, só que conhecia o José Guiomard (governador). Ele mandou me encaixar no primeiro enquadramento, mas me deixaram de fora. Fiquei sem contrato. Foi então que o professor Alcides Dutra me convidou para trabalhar no Ministério Público”, relata ela.

Euda diz que “embora fosse professora, só Deus sabe a satisfação que eu tinha de trabalhar no Ministério Público. Como não tinha outras pessoas, precisava fazer muita coisa e, mesmo assim, encontrava tempo para ajudar as pessoas carentes”.

Numa parceria informal com o escrivão Luiz Gonzaga de Lima, ela orientava as pessoas mais carentes na retirada de documentos básicos, registro de crianças, requerimentos ou alvarás.

Como secretária do MPAC, testemunhou um dos períodos mais conturbados da história brasileira, quando aconteceu o golpe militar de 1964. “O governo de José Augusto foi ameaçado diversas vezes, mas ele era um homem bom e as acusações eram falsas. Ele foi cassado por influência dos militares que só queriam o poder. O povo do Acre ficou muito triste porque a gente tinha muitas esperanças nele”.

Euda lembra que, naquele tempo, os juízes e promotores eram praticamente todos de fora. “Eu gostava de assistir as audiências e julgamentos, assim, de vez em quando, eu dava um jeito para ir assistir. Acho que se não tivesse saído do Ministério Público teria continuado estudando. Gostava muito de história antiga”.

Sobre o convívio com os colegas, ela guarda um carinho especial do ‘chefe’ à época. “O doutor Lourival, meu chefe, foi muito bom para mim. Quando o deputado Joaquim Cruz assumiu interinamente o governo do Estado e pediu que assinasse minha transferência para a Educação, por achar mais seguro para mim, e era mesmo, fiquei muito triste. Quando o doutor Lourival foi junto comigo para me devolver para a Educação, sofri muito. Parecia que estava indo para a morte”.

Sempre dedicada a seus alunos e seguindo a filosofia de que era preciso dar sempre o seu melhor no trabalho que estivesse empenhada, aposentou-se como professora. “Passei quase três anos trabalhando no Ministério Público. De volta às escolas, mantive minha amizade com a professora Edir Marques, esposa do doutor Lourival, que era diretora do Departamento de Ensino Supletivo; e eu trabalhava como diretora do Colégio Dom Bosco. Tenho saudades daquele tempo”.